Misturou-se tudo dentro de mim.
Dia belo de abril.
é como quando você acorda, é como quando você acorda sem saber o que
o que pode acontecer.
e você também não pensa.
nem se preocupa.
Tomando seu café passado.
e pegando seu ônibus de subúrbio pro futuro.
o seu. e de mais alguém.
e você vai escutando suas musicas prediletas..
olhando suas paisagens inconcretas..
e se da por feliz.
E na volta de mais um dia, daquele dia,
Aquele a quem você jamais queria voltar a ver.
Te procura na esquina de casa.
e finge ser acaso o propósito.
Pode ser melhor assim,
Mais essas lágrimas..por mais um poema.
Que passe, que ele não volte a minha esquina.
Que eu viva em paz sem seus fantasmas.
Que eu esqueça de novo o já esquecido.
Que ele não apareça.
Por uma vida mais feliz.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
domingo, 26 de abril de 2009
- °° - °°- °-°° - - -

Amanha o inventor do código morse faz aniversário de muiiitooos anos..
Fiz essa postagem pra vcs se -°° °° °°°- ° °-° - °° -°- ° -- * muito com o código!!
*divertirem
a Wiki, amiga fiel, fala sobre o Samuel Morse:
Samuel Finley Breese Morse (Charlestown, 27 de abril de 1791 — Nova Iorque, 2 de abril de 1872) foi um inventor e pintor de retratos e cenas históricas estadunidense. Tornou-se mundialmente célebre pela suas invenções: o código morse e do telégrafo.
Aos quatro anos de idade mostrava grande interesse pelo desenho e, aos catorze, ganhava o seu próprio dinheiro fazendo desenhos de seus amigos e pessoas da cidade.
Ainda na época de colégio, Morse escreveu uma carta aos pais dizendo que queria se tornar um pintor. Os pais, preocupados com o futuro do filho, preferiram transformá-lo num vendedor de livros. Desse modo, Morse passou a vender livros de dia e a pintar à noite. Ante a persistência do artista, os pais decidiram mandar o filho para Londres para que estudasse artes na Royal Academy.
Ao retornar aos Estados Unidos, casou-se em 1818 e, logo em seguida, vieram os filhos: dois meninos e uma menina. Morse lutava com dificuldades, uma vez que à época não havia muitos interessados em retratos.
Em 1825, após o falecimento da sua esposa, Morse retornou à Europa, levando os seus filhos e uma cunhada.
Em 1826 fundou uma sociedade artística que, em breve, se transformou na Academia Nacional de Desenho. A partir de 1832 ensinou pintura e escultura na Universidade de Nova Iorque, atingindo a fama de excelente retratista.Samuel Finley Breese Morse (Charlestown, 27 de abril de 1791 — Nova Iorque, 2 de abril de 1872) foi um inventor e pintor de retratos e cenas históricas estadunidense. Tornou-se mundialmente célebre pela suas invenções: o código morse e do telégrafo.
Aos quatro anos de idade mostrava grande interesse pelo desenho e, aos catorze, ganhava o seu próprio dinheiro fazendo desenhos de seus amigos e pessoas da cidade.
Ainda na época de colégio, Morse escreveu uma carta aos pais dizendo que queria se tornar um pintor. Os pais, preocupados com o futuro do filho, preferiram transformá-lo num vendedor de livros. Desse modo, Morse passou a vender livros de dia e a pintar à noite. Ante a persistência do artista, os pais decidiram mandar o filho para Londres para que estudasse artes na Royal Academy.
Ao retornar aos Estados Unidos, casou-se em 1818 e, logo em seguida, vieram os filhos: dois meninos e uma menina. Morse lutava com dificuldades, uma vez que à época não havia muitos interessados em retratos.
Em 1825, após o falecimento da sua esposa, Morse retornou à Europa, levando os seus filhos e uma cunhada.
Em 1826 fundou uma sociedade artística que, em breve, se transformou na Academia Nacional de Desenho. A partir de 1832 ensinou pintura e escultura na Universidade de Nova Iorque, atingindo a fama de excelente retratista.
Aos quatro anos de idade mostrava grande interesse pelo desenho e, aos catorze, ganhava o seu próprio dinheiro fazendo desenhos de seus amigos e pessoas da cidade.
Ainda na época de colégio, Morse escreveu uma carta aos pais dizendo que queria se tornar um pintor. Os pais, preocupados com o futuro do filho, preferiram transformá-lo num vendedor de livros. Desse modo, Morse passou a vender livros de dia e a pintar à noite. Ante a persistência do artista, os pais decidiram mandar o filho para Londres para que estudasse artes na Royal Academy.
Ao retornar aos Estados Unidos, casou-se em 1818 e, logo em seguida, vieram os filhos: dois meninos e uma menina. Morse lutava com dificuldades, uma vez que à época não havia muitos interessados em retratos.
Em 1825, após o falecimento da sua esposa, Morse retornou à Europa, levando os seus filhos e uma cunhada.

Em 1826 fundou uma sociedade artística que, em breve, se transformou na Academia Nacional de Desenho. A partir de 1832 ensinou pintura e escultura na Universidade de Nova Iorque, atingindo a fama de excelente retratista.Samuel Finley Breese Morse (Charlestown, 27 de abril de 1791 — Nova Iorque, 2 de abril de 1872) foi um inventor e pintor de retratos e cenas históricas estadunidense. Tornou-se mundialmente célebre pela suas invenções: o código morse e do telégrafo.
Aos quatro anos de idade mostrava grande interesse pelo desenho e, aos catorze, ganhava o seu próprio dinheiro fazendo desenhos de seus amigos e pessoas da cidade.
Ainda na época de colégio, Morse escreveu uma carta aos pais dizendo que queria se tornar um pintor. Os pais, preocupados com o futuro do filho, preferiram transformá-lo num vendedor de livros. Desse modo, Morse passou a vender livros de dia e a pintar à noite. Ante a persistência do artista, os pais decidiram mandar o filho para Londres para que estudasse artes na Royal Academy.
Ao retornar aos Estados Unidos, casou-se em 1818 e, logo em seguida, vieram os filhos: dois meninos e uma menina. Morse lutava com dificuldades, uma vez que à época não havia muitos interessados em retratos.
Em 1825, após o falecimento da sua esposa, Morse retornou à Europa, levando os seus filhos e uma cunhada.
Em 1826 fundou uma sociedade artística que, em breve, se transformou na Academia Nacional de Desenho. A partir de 1832 ensinou pintura e escultura na Universidade de Nova Iorque, atingindo a fama de excelente retratista.
Beijão pra todos!E boa semana...
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Correspondência
Querido,
Sinto saudades da época em que nos víamos todos os finais de semana,
E que saiamos por ai, a cantar sonetos de uma vida feliz.
A cada dia era um novo lugar,
Da praia pro cinema, do cinema pro jantar. Que era simples. Mas tinha sabor.
Sabor de vida.
Lembra amor?
Lembra dos nossos beijos escondidos e tímidos?
Dados a porta de casa.
Os olhos do pai a nos seguir.
O pai implicava; você morria de medo.
Mas aproveito para te revelar:
Ele gostava da sua presença, sua influencia e sua aparência.
Considerava uma boa companhia a sua filha mais nova.
As meninas do bairro, não conseguiam entender,
‘Como pode ela... logo ela...atrair um rapaz tão elegante?’
Ate hoje quando abro algum livro antigo, encontro pétalas de muitas das rosas que você um dia já me deu.
Era o nosso mundo cor de rosa, a nossa primavera eterna.
E qualquer lugar ficava lindo do seu lado.
(Parou por alguns instantes, ficou pensativa com um sorriso leve na face. Continuou...).
Encontrei na semana passada, arrumando a gaveta da estante do corredor, uma foto nossa. Era uma foto daquele dia em que pegamos uma chuva forte assim que chegamos a Petrópolis.
Muito tempo depois você ainda dava gargalhadas do tombo que eu levei caindo naquela poça de água.
Ficava zangadíssima.
Mas confesso que era realmente divertido lembrar.
Você já se perguntou o motivo da carta, imagino.
Arrisco dizer que quando viu meu nome no envelope, ameaçou rasgar.
Mas sempre foi curioso. E leu. E chegou ate o final.
Obrigada.
Escrevo pra dizer que sinto saudades. De você, e de nós.
Que já perdoei ter me abandonado.
Que sofri. Mas superei.
Que admito todas as qualidades maternais do seu novo amor.
Que não odeio mais o fato de você roer as unhas.
Mas que não fique me esperando chegar a casa escondido na esquina.
Sempre soube que estava lá.
Você sempre esteve lá.
Carinhos,
Sophia.
Sinto saudades da época em que nos víamos todos os finais de semana,
E que saiamos por ai, a cantar sonetos de uma vida feliz.
A cada dia era um novo lugar,
Da praia pro cinema, do cinema pro jantar. Que era simples. Mas tinha sabor.
Sabor de vida.
Lembra amor?
Lembra dos nossos beijos escondidos e tímidos?
Dados a porta de casa.
Os olhos do pai a nos seguir.
O pai implicava; você morria de medo.
Mas aproveito para te revelar:
Ele gostava da sua presença, sua influencia e sua aparência.
Considerava uma boa companhia a sua filha mais nova.
As meninas do bairro, não conseguiam entender,
‘Como pode ela... logo ela...atrair um rapaz tão elegante?’
Ate hoje quando abro algum livro antigo, encontro pétalas de muitas das rosas que você um dia já me deu.
Era o nosso mundo cor de rosa, a nossa primavera eterna.
E qualquer lugar ficava lindo do seu lado.
(Parou por alguns instantes, ficou pensativa com um sorriso leve na face. Continuou...).
Encontrei na semana passada, arrumando a gaveta da estante do corredor, uma foto nossa. Era uma foto daquele dia em que pegamos uma chuva forte assim que chegamos a Petrópolis.
Muito tempo depois você ainda dava gargalhadas do tombo que eu levei caindo naquela poça de água.
Ficava zangadíssima.
Mas confesso que era realmente divertido lembrar.
Você já se perguntou o motivo da carta, imagino.
Arrisco dizer que quando viu meu nome no envelope, ameaçou rasgar.
Mas sempre foi curioso. E leu. E chegou ate o final.
Obrigada.
Escrevo pra dizer que sinto saudades. De você, e de nós.
Que já perdoei ter me abandonado.
Que sofri. Mas superei.
Que admito todas as qualidades maternais do seu novo amor.
Que não odeio mais o fato de você roer as unhas.
Mas que não fique me esperando chegar a casa escondido na esquina.
Sempre soube que estava lá.
Você sempre esteve lá.
Carinhos,
Sophia.
sexta-feira, 13 de março de 2009
Gentil.
Este blog esta realmente as traças!Num abandono sem tamanho.
Afinal de contas, que pessoa é essa, que cria um blog pra ter algum motivo inútil pra escrever qualquer bobagem que seja, e que passa seu tempo a observar as coisas para ter tema a escrever, se, efetivamente, não escreve?
Pois bem, achei meu livro do Renoir largado em baixo do teclado do pc, bem provavelmente usado de apoio, o que me serviu de pequena/imprestável inspiração, estava também com um sono de horas... mas senti que ia dormir uma noite vazia.
Então..por falta de coisa melhor a fazer, passemos o tempo a escrever...
Hoje vim aqui falar dos profetas.
Não esses profetas chiques, que cobram previsões, aparecem na TV, e fazem sucesso no Gugu.
Os profetas legais são os profetas de rua.
Ate hoje, e olha que não peguei essa época, fico toda arrepiada quando leio as profetizações do Gentileza, a caminho do Centro da cidade.
São todas de uma doçura inocente, de uma beleza carinhosa aos olhos dos desesperados atrasados que passam de ônibus nos engarrafamentos do centro.
Tenho certeza que na falta de alternativa, as pessoas paradas ali, olham, apreciam e se emocionam com as palavras do Gentileza..
Em vida Gentileza pregava nas Barcas, e ia conversando com as pessoas pelo caminho.
Como terá sido seu nome de identidade?Sei que Gentileza foi um apelido bem bacana para tal..
Aquelas paredes foram tombadas pelo patrimônio publico.
Mas eu conheço ainda outros.
Tem um senhor, deve morar aqui por perto de mim...ele usa uma calça de linho branco, blusas e camisetas brancas diversas, e havaiana branca também.
Não, ele não é um médico de férias, é um profeta.
Entra no ônibus,e começa a falar da vida, da verdade, da mentira, de Deus.
Um profeta de futuro ele..
Anuncia principalmente as causas e não conseqüências, de nosso mundo exagerado.
Tem hora que ate vejo razão em suas palavras.
A maioria pensa que ele é louco. Acho que ele pensa a mesma coisa da gente.
Tem também o profeta da Barca. Que às vezes se encontra com o profeta de branco.
Mas esse já afirma ser um mutante, que possui poderes incríveis. Promete matar todos os presentes, que em sua maioria o ignoram.
Nesse caso aconselho livros, e não mais novelas da Record.
Na minha faculdade também tem profetas, um menino bem moderno, anunciou pra mim no meio de um trabalho, que num determinado dia de dezembro a cidade de São Paulo vai parar por completo, devido ao transito, e que por isso as pessoas vão abandonar seus veículos e seguirem seu rumo a pé.
Ele ainda afirmou que no dia seguinte ao transito infernal, a Terra vai acabar. O sol vai engolir ele, e tudo que estiver dentro.
A melhor solução é se mudar pro planeta vizinho mais distante possível.
Por fim,ontem, numa sexta feira 13, me deparo com mais um profeta, que anunciava aos passantes e aos presentes na fila do caos que se instaurou nas barcas, que todos deveriam temer e tomar cuidado, pois o dia não era auspicioso, e carregava más energias.
Das duas (que na verdade são três) uma, ou a cada geração existe uma cota de tantos profetas por metro quadrado, ou ta todo mundo maluco, cada um em seu nível e grau,
ou os malucos somos nos,e eles os verdadeiros conscientes.
Beijos e Boa noite.
Afinal de contas, que pessoa é essa, que cria um blog pra ter algum motivo inútil pra escrever qualquer bobagem que seja, e que passa seu tempo a observar as coisas para ter tema a escrever, se, efetivamente, não escreve?
Pois bem, achei meu livro do Renoir largado em baixo do teclado do pc, bem provavelmente usado de apoio, o que me serviu de pequena/imprestável inspiração, estava também com um sono de horas... mas senti que ia dormir uma noite vazia.
Então..por falta de coisa melhor a fazer, passemos o tempo a escrever...
Hoje vim aqui falar dos profetas.
Não esses profetas chiques, que cobram previsões, aparecem na TV, e fazem sucesso no Gugu.
Os profetas legais são os profetas de rua.
Ate hoje, e olha que não peguei essa época, fico toda arrepiada quando leio as profetizações do Gentileza, a caminho do Centro da cidade.
São todas de uma doçura inocente, de uma beleza carinhosa aos olhos dos desesperados atrasados que passam de ônibus nos engarrafamentos do centro.
Tenho certeza que na falta de alternativa, as pessoas paradas ali, olham, apreciam e se emocionam com as palavras do Gentileza..
Em vida Gentileza pregava nas Barcas, e ia conversando com as pessoas pelo caminho.
Como terá sido seu nome de identidade?Sei que Gentileza foi um apelido bem bacana para tal..
Aquelas paredes foram tombadas pelo patrimônio publico.
Mas eu conheço ainda outros.
Tem um senhor, deve morar aqui por perto de mim...ele usa uma calça de linho branco, blusas e camisetas brancas diversas, e havaiana branca também.
Não, ele não é um médico de férias, é um profeta.
Entra no ônibus,e começa a falar da vida, da verdade, da mentira, de Deus.
Um profeta de futuro ele..
Anuncia principalmente as causas e não conseqüências, de nosso mundo exagerado.
Tem hora que ate vejo razão em suas palavras.
A maioria pensa que ele é louco. Acho que ele pensa a mesma coisa da gente.
Tem também o profeta da Barca. Que às vezes se encontra com o profeta de branco.
Mas esse já afirma ser um mutante, que possui poderes incríveis. Promete matar todos os presentes, que em sua maioria o ignoram.
Nesse caso aconselho livros, e não mais novelas da Record.
Na minha faculdade também tem profetas, um menino bem moderno, anunciou pra mim no meio de um trabalho, que num determinado dia de dezembro a cidade de São Paulo vai parar por completo, devido ao transito, e que por isso as pessoas vão abandonar seus veículos e seguirem seu rumo a pé.
Ele ainda afirmou que no dia seguinte ao transito infernal, a Terra vai acabar. O sol vai engolir ele, e tudo que estiver dentro.
A melhor solução é se mudar pro planeta vizinho mais distante possível.
Por fim,ontem, numa sexta feira 13, me deparo com mais um profeta, que anunciava aos passantes e aos presentes na fila do caos que se instaurou nas barcas, que todos deveriam temer e tomar cuidado, pois o dia não era auspicioso, e carregava más energias.
Das duas (que na verdade são três) uma, ou a cada geração existe uma cota de tantos profetas por metro quadrado, ou ta todo mundo maluco, cada um em seu nível e grau,
ou os malucos somos nos,e eles os verdadeiros conscientes.
Beijos e Boa noite.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Esse semana li essa crônica, e ela me encantou muito..porque é bem o tipo de coisa que eu me pego fazendo sempre. Observando as pessoas e imaginando quem são, como são, e o que pretendem.
Tudo bem, sei que isso parece voyeurismo, tá...é voyeurismo, mas saudável..não leve no sentido literal da coisa..rsrsrs
Tudo bem, sei que isso parece voyeurismo, tá...é voyeurismo, mas saudável..não leve no sentido literal da coisa..rsrsrs
Vamos à crônica, é isso que importa!
Numa tarde de verão
por Manuel Carlos 
Casca de limão no copo de água gelada. Muito calor. Um casal, numa mesa próxima, conversa sobre o comportamento de um filho de 11 ou 12 anos, que devora uma taça imensa de sorvete, fingindo não perceber que a conversa é sobre ele. Olho atentamente o menino e me vem à memória a figura do Gustavo, um colega do internato, quando juntos cursávamos o 1º ano do ginásio. Éramos os mais populares da escola. Eu, por ser insubordinado, respondão, desatento, enfim: um péssimo exemplo. Ele, por ser simplesmente o melhor aluno de quantos haviam passado por aqueles bancos escolares em quase 100 anos!

Casca de limão no copo de água gelada. Muito calor. Um casal, numa mesa próxima, conversa sobre o comportamento de um filho de 11 ou 12 anos, que devora uma taça imensa de sorvete, fingindo não perceber que a conversa é sobre ele. Olho atentamente o menino e me vem à memória a figura do Gustavo, um colega do internato, quando juntos cursávamos o 1º ano do ginásio. Éramos os mais populares da escola. Eu, por ser insubordinado, respondão, desatento, enfim: um péssimo exemplo. Ele, por ser simplesmente o melhor aluno de quantos haviam passado por aqueles bancos escolares em quase 100 anos!
– Brilhante – como a ele se referia o padre Campelo, reitor do internato católico.
E com a mesma ênfase, sempre que batia os olhos em mim, o piedoso sacerdote sapecava na minha cara:
– Perdido!
Só quem conviveu com padres sabe o peso que tem, para eles, a palavra perdido, que se refere à perdição nas profundezas do inferno, onde não há luz nem sombra, mas só gemidos e ranger de dentes.
Bem, mas o Gustavo propriamente dito não tinha culpa de ser o bom e eu, o ruim. Tenho dele, na memória, dois momentos precisos. O primeiro numa aula de português, em que ele foi o único aluno a saber o significado da palavra burocracia. Um sucesso que rendeu aplausos de toda a classe. E o segundo, de uma tarde em que eu, querendo bancar o gozador, perguntei, de repente, na frente de todos os colegas:
Bem, mas o Gustavo propriamente dito não tinha culpa de ser o bom e eu, o ruim. Tenho dele, na memória, dois momentos precisos. O primeiro numa aula de português, em que ele foi o único aluno a saber o significado da palavra burocracia. Um sucesso que rendeu aplausos de toda a classe. E o segundo, de uma tarde em que eu, querendo bancar o gozador, perguntei, de repente, na frente de todos os colegas:
– Mata esta, Gustavo: você sai de um lugar lotado e diz para quem está esperando: há muita gente ou... tem muita gente lá dentro?
E Gustavo, em cima:
– Digo: está cheio lá dentro!
Eu me lembro de que sorri amarelo e fui alvo da gozação geral. É, pensando melhor agora, concordo com o padre Campelo: Gustavo era realmente brilhante!
Sorri comigo mesmo dessas remotas e tolas lembranças e pedi mais uma garrafa de água mineral. O calor parecia aumentar.
Foi quando ela entrou timidamente na chocolateria. Teria não mais que 20 anos, vestia-se com simplicidade e percebia-se, num relance, que entrava ali pela primeira vez. Sem levantar muito os olhos, foi até o balcão. O que me chamou a atenção nessa mocinha bonita e tímida foi justamente o esforço que ela fazia para não chamar atenção. Percebia-se nela o desejo de ser invisível e poder atravessar a vida e a sala da Envidia sem ser percebida. No balcão, ela olhou sem pressa a vitrine e escolheu, cuidadosamente, quatro bombons de recheios diversos. Enquanto eram colocados numa elegante caixinha, ela tirou da bolsa a carteira e catou o dinheiro necessário, usando até mesmo algumas moedas. Fiquei acompanhando com carinho seus gestos silenciosos e modestos. E me pus a imaginar que destino teriam aqueles preciosos chocolates.
Novinha como era, mesmo que tivesse um filho, ele não estaria em idade de comer bombons recheados. Seriam para a mãe? Para uma irmã mais nova? Para o marido? Não, ela não tinha a aparência de uma moça casada. Bem, seria então para o namorado, com quem brigara no dia anterior e agora, com aqueles quatro bombons, esperava fazer as pazes. É, concluí, só pode ser para o namorado.
E aí ela saiu. Pela porta envidraçada, o sol forte lá fora, pude ver quando a mocinha modesta e tímida parou na calçada, abriu a caixinha cuidadosamente e se pôs a comer os bombons, saboreando-os um a um, os olhos se entreabrindo e se entrefechando de prazer.
E foi inevitável a lembrança de uma reflexão de Albert Einstein: a de que a imaginação é mais importante que o conhecimento. Mas também concluí, agora por minha conta, que a realidade pode ser mais poética do que a imaginação.
Bom Final de semana.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Dia de Domingo.
Era sábado à noite, ela viu aquele lugar na internet e decidiu que ele era perfeito pra fazer qualquer tipo de poesia. Não que já não o conhecesse. Sim, ela conhecia. E sempre gostou. Mas nunca o viu com olhos de poeta.
No domingo, logo bem cedo, tomou seu café forte com torradas e margarina becel.
Botou aquele vestidinho que a faz se sentir menina moça, arrumou a bolsa, desligou o celular, ia quase se esquecendo do principal, seu caderninho com a foto da Lispector na capa.
Tudo pronto. Pegou as chaves, tirou a carroça da garagem, e lá foi ela.. abriu os vidros pra pegar um vento nos cachos soltos. Nunca se esquecia de fechá-los quando parava nos desertos sinais.
Uma paisagem de beleza e virtude a cercava, aquele prometia ser um domingão daqueles.
Pronto, ela chegou, estacionar não foi difícil, e ela ainda achou no banco traseiro do carro aquele chapéu de palha que sua tia tinha lhe dado no Natal, botou. Saiu do carro.
Nossa... mas como a manha naquele lugar parecia ser mais bonita do que em qualquer outro.Pensou que queria morar ali, pensou também que se morasse ali o lugar perderia um pouco da graça, mas mesmo assim decidiu que queria morar ali.
Algumas crianças corriam das babás, uns senhores jogavam damas (e olhavam para algumas também) numa mesinha de concreto, a garotada tomava cerveja.
Tudo estava no seu devido lugar.
Depois de respirar profundamente aquele ar de tirar o fôlego dos mortais, olhou para a perfeição divina a sua frente: aquele mar com pedras, o morro de pão doce, e o sol brilhando.
Toda a inspiração necessária para um poema de domingo estava ali, entre os limites do seu olhar e o do papel.
Então ela começou... falou de amor, de estrelas, de vidas, de mar, de sonhos, saudades, encontros, partidas, perdas, ganhos, falou ate da água de coco que tomava,falou dos casais que dividem o mesmo copo de coca com dois canudinhos.
Falava do cotidiano.
Este que vivemos todos os dias,
Comum e poético.
Das vidas brilhantes e fracassadas.
Dos destinos.
E falava com se dominasse a razão da existência.
Suas palavras eram tão fortes, que emocionavam a si mesma.
A música do mar
Era a mais completa orquestra natural.
E a conversa das pessoas felizes,
Era como um sinal de que o amor
sobrevivia.
As coisas corriam bem,
tudo fazendo parte de algo muito maior
E completo.
Era o mistério.
Fechou seu caderno, levantou, foi andando ate o carro.
Antes de entrar ainda deu mais uma olhada pra trás.
Sim, estava no seu devido lugar.
No domingo, logo bem cedo, tomou seu café forte com torradas e margarina becel.
Botou aquele vestidinho que a faz se sentir menina moça, arrumou a bolsa, desligou o celular, ia quase se esquecendo do principal, seu caderninho com a foto da Lispector na capa.
Tudo pronto. Pegou as chaves, tirou a carroça da garagem, e lá foi ela.. abriu os vidros pra pegar um vento nos cachos soltos. Nunca se esquecia de fechá-los quando parava nos desertos sinais.
Uma paisagem de beleza e virtude a cercava, aquele prometia ser um domingão daqueles.
Pronto, ela chegou, estacionar não foi difícil, e ela ainda achou no banco traseiro do carro aquele chapéu de palha que sua tia tinha lhe dado no Natal, botou. Saiu do carro.
Nossa... mas como a manha naquele lugar parecia ser mais bonita do que em qualquer outro.Pensou que queria morar ali, pensou também que se morasse ali o lugar perderia um pouco da graça, mas mesmo assim decidiu que queria morar ali.
Algumas crianças corriam das babás, uns senhores jogavam damas (e olhavam para algumas também) numa mesinha de concreto, a garotada tomava cerveja.
Tudo estava no seu devido lugar.
Depois de respirar profundamente aquele ar de tirar o fôlego dos mortais, olhou para a perfeição divina a sua frente: aquele mar com pedras, o morro de pão doce, e o sol brilhando.
Toda a inspiração necessária para um poema de domingo estava ali, entre os limites do seu olhar e o do papel.
Então ela começou... falou de amor, de estrelas, de vidas, de mar, de sonhos, saudades, encontros, partidas, perdas, ganhos, falou ate da água de coco que tomava,falou dos casais que dividem o mesmo copo de coca com dois canudinhos.
Falava do cotidiano.
Este que vivemos todos os dias,
Comum e poético.
Das vidas brilhantes e fracassadas.
Dos destinos.
E falava com se dominasse a razão da existência.
Suas palavras eram tão fortes, que emocionavam a si mesma.
A música do mar
Era a mais completa orquestra natural.
E a conversa das pessoas felizes,
Era como um sinal de que o amor
sobrevivia.
As coisas corriam bem,
tudo fazendo parte de algo muito maior
E completo.
Era o mistério.
Fechou seu caderno, levantou, foi andando ate o carro.
Antes de entrar ainda deu mais uma olhada pra trás.
Sim, estava no seu devido lugar.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Quintal.
Inesperadamente
foi assim que te vi
recebida com cana
você me levou pro
samba.
Era rosa toalha
era cor.
Era dança de ginga
era amor.
[in]candeia.
E você meu preto
feliz dos olhos brilhar.
Era quarta dia perfeito
de se estar em qualquer lugar.
E saindo de la
poesia pura
luz vermelha pairando no ar.
Só eu e você
rindo em frente ao mar.
foi assim que te vi
recebida com cana
você me levou pro
samba.
Era rosa toalha
era cor.
Era dança de ginga
era amor.
[in]candeia.
E você meu preto
feliz dos olhos brilhar.
Era quarta dia perfeito
de se estar em qualquer lugar.
E saindo de la
poesia pura
luz vermelha pairando no ar.
Só eu e você
rindo em frente ao mar.
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